sábado, 17 de outubro de 2009

Poesia Matemática…




Às folhas tantasdo livro matemático

um Quociente apaixonou-se diadoidamente

por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável

e viu-a do ápice à base uma figura ímpar;

olhos rombóides, boca trapezóide,

corpo retangular, seios esferóides.


Fez de sua uma vida paralela à dela

até que se encontraram no infinito.

"Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical.

"Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa."


E de falarem descobriram que eram(o que em aritmética correspondea almas irmãs )

primos entre si.E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, círculos e linhas sinoidais nos jardins da quarta dimensão.


Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana e os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.


E enfim resolveram se casar.

Constituir um lar, mais que um lar, um perpendicular.


Convidaram para padrinhoso Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro sonhando com uma felicidade integral e diferencial.


E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal monotonia.

Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum,

freqüentador de círculos concêntricos, viciosos.


Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade.


Era o triângulo, tanto chamado amoroso. Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária. Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade como aliás em qualquer sociedade.


Millôr Fernandes

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