segunda-feira, 19 de outubro de 2009

The Fool…



Perguntais-me como me tornei louco.


Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes

de muitos deuses terem nascido,

despertei de um sono profundo







e notei que todas

as minhas máscaras tinham sido roubadas

– as sete máscaras que eu havia

confeccionado e usado em sete vidas -

e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:





"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"



Homens e mulheres riram de mim e alguns

correram para casa, com medo …



E quando cheguei à praça do mercado,

um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:

"É um louco!".



Olhei para cima, pra vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez minha face nua e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,

e não desejei mais minhas máscaras.



E, como num transe, gritei:

"Benditos, bendito os ladrões que

roubaram minhas máscaras!"



Assim me tornei louco.



E encontrei tanto liberdade

como segurança em minha loucura:

a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos

compreende escraviza alguma coisa em nós.

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